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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Analistas do TSE veem “doador fantasma” em contas de Bolsonaro de 2022

Relatório cita CPFs cancelados por óbito entre doações da campanha para o Planalto em 2022. Parte dos valores veio de doador morto em 2018

Pablo Giovanni

A equipe de analistas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta, em relatório, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu doações para a campanha de 2022 provenientes de CPFs de doadores já mortos — os chamados “doadores fantasmas”.

Os dados constam de documento encaminhado ao ministro Antonio Carlos Ferreira, relator do processo de prestação de contas de Bolsonaro.

Ao todo, os analistas indicam que R$ 94 mil devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional em razão de irregularidades nas receitas da chapa formada pelo ex-presidente com o general Walter Souza Braga Netto.

Parte dessas inconsistências envolve um montante específico de R$ 6.476,99. Desse total, R$ 6.132,00 partiram de um único CPF, vinculado a Damião de Araújo Silva, já falecido, cuja situação cadastral consta como “cancelada por óbito sem espólio” desde 2018.

As doações em nome de Damião ocorreram no intervalo de sete dias após o primeiro turno das eleições de 2022, somando cinco contribuições de R$ 1.022,00 cada — referência ao número 22 do Partido Liberal, legenda de Bolsonaro.

Os analistas chegaram a procurar familiares do falecido e receberam como resposta, do filho, que os valores teriam origem no patrimônio do espólio, como forma de homenagem ao pai, que era apoiador de Bolsonaro.

Apesar disso, conforme constatou a coluna, o apoiador — natural do Amapá — nem sequer chegou a votar nas eleições de 2018, quando Bolsonaro disputou pela primeira vez a Presidência, pois morreu meses antes do pleito. À época, o então candidato Bolsonaro usava o número 17 nas urnas. A coluna procurou a família, mas não obteve resposta.

15 registrados como mortos

Outro valor que chamou a atenção dos analistas foi de R$ 344,99, provenientes de 15 doadores também registrados como mortos antes das contribuições. Os depósitos ocorreram entre setembro e outubro de 2022, segundo o monitoramento do TSE.

Apesar das inconsistências, a área técnica recomendou ao relator a aprovação das contas com ressalvas da chapa Bolsonaro–Braga Netto. Atualmente, ambos estão presos no âmbito das investigações e condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado após julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Prestação

O relatório já foi encaminhado ao ministro Antonio Carlos Ferreira, mas ainda não há previsão de quando a prestação de contas será analisada.

Segundo os dados apresentados ao TSE, a campanha presidencial de Bolsonaro em 2022 arrecadou, ao todo, R$ 126,1 milhões.

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