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sexta-feira, 13 de março de 2026

Lula zera impostos sobre diesel para conter alta dos combustíveis

março 13, 2026
Lula zera impostos sobre diesel para conter alta dos combustíveis
“Para que a guerra [do Irã] não chegue ao prato de feijão”, disse

Gabriel Brum

Os impostos federais de importação e comercialização sobre o diesel foram zerados pelo governo, nesta quinta-feira, 12, para conter a alta causada pela guerra no Irã. O anúncio foi feito pelo presidente Lula e por ministros.

Além da redução das alíquotas de PIS e Cofins, uma medida provisória criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel. Juntas as duas iniciativas devem aliviar os preços em cerca de R$ 0,64. Para compensar parte disso, a MP prevê Imposto de Exportação para aumentar o refino no Brasil e manter o abastecimento à população.

A Agência Nacional de Petróleo ganhou novas instrumentos para coibir práticas lesivas aos consumidores e os postos vão ter que ter placas para deixar claro a diminuição dos preços pela redução dos tributos.

O presidente Lula afirmou que conta com a ajuda de governadores dos Estados para evitar que o diesel dispare no país.

“Até com a boa vontade dos governadores de Estado, que podem reduzir um pouco o ICMS também do preço do combustível, naquilo que for possível cada estado fazer, para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao posto do motorista. E, sobretudo, não chegando ao posto do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, à salada do alface, da cebola, e à comida que o povo mais come”.

Medidas motivadas por guerra ao Irã

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as medidas são temporárias e tem relação com o estado de guerra. O cenário atual não permitiu que fossem adiadas.

“Não podia mais ser adiado, em virtude das notícias que nos chegam, sobre o Estreito de Ormuz, sobre a redução da produção mundial de petróleo, que caiu, segundo estimativa da Petrobras, em torno de cinco milhões de barris por dia. Ou seja, nós estamos falando que, praticamente, 5% da produção mundial de petróleo caiu desde o início do conflito”.

Essas medidas são anunciadas no momento em que os preços do petróleo são pressionados pela guerra no Irã. O valor do barril voltou a bater 100 dólares depois que o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz.

A passagem foi fechada pelo país persa em retaliação aos ataques feitos por Estados Unidos e Israel. E o novo líder supremo do país, aiatolá Mojtaba Khamenei, disse, nesta quinta, que o Estreito vai continuar bloqueado, informou a mídia estatal.

O caso Master e a hipocrisia dos vingadores

março 13, 2026
O caso Master e a hipocrisia dos vingadores
É a turba pretendendo incendiar o circo e botar fogo no picadeiro. Não ouse mencionar a eles algo chamado de 'o devido processo legal'

Luís Nassif

O inacreditável Fernando Gabeira propõe que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja fechado. Na CBN, Carlos Alberto Sardenberg e Vera Magalhães querem que Daniel Vorcaro padeça no fogo do inferno até o fim dos tempos. Em O Globo, Merval Pereira diz que a eventual libertação de Vorcaro jogaria a conta nas costas do governo.

É a turba pretendendo incendiar o circo e botar fogo no picadeiro. Não ouse mencionar a eles algo chamado de ‘o devido processo legal’. Eles alegariam que é desculpa para livrar criminosos, no mesmo modelo argumentativo de um bolsonarista raiz.

É inacreditável esse clima de arena romana.

Se algum incauto mencionasse, perto deles, que pelo devido processo legal, não se justificaria a prisão preventiva de Daniel Vorcaro? Afinal, as ameaças a jornalistas foram feitas há mais de dois anos. Seria taxado de defensor da corrupção.

E agora, quando se sabe que um grande evento do Valor Econômico, em Nova York, foi bancado pelo Banco Master e pela Refit, a refinaria de propriedade do maior falsário do país, Eduardo Magro?

Alegarão que, na época, não se sabia das estripulias do Master. Mas não trataram com a mesma condescendência Ricardo Lewandowski e outras autoridades que negociaram com o Master antes da crise. E o que dizer da Refit, há décadas conhecida como centro de falsificação de combustíveis?

Quando ocorreu o escândalo da sede do TRT, em São Paulo, a turba queria, a todo custo, a prisão, sem julgamento, de Luiz Estevão, hoje dono do jornal Metrópoles, o mais inquisitorial dos jornais. Insurgi-me, defendi o devido processo legal e o desejo de que, depois de completado o julgamento, a juíza aplicasse nele a pena mais severa.

Mas fui voz isolada. Lembro-me, nos 80 anos da Folha, de um debate com alguns dos articulistas do jornal. Uma colega celebrava o poder da mídia, pelo fato de que um senador da República, Jader Barbalho, ter sido conduzido algemado em avião da Polícia Federal. Fiz-lhe ver que, se a mídia analisasse uma violência dessas contra um senador da República, estaria sancionando todas as violências, nas delegacias, contra os anônimos. Lembro-me, na saída, Otávio Frias Filho, junto com o advogado Luiz Francisco de Carvalho Filho, me parar para dizer que concordava com minha posição.

Que o cidadão comum queira sangue, chicotes e castigos, tal e qual o público romano, se aceita. A voz das ruas é a turba, o populacho. Mas que esse clima seja endossado por quem deveria representar a parte racional da opinião pública, é o fim da civilização.

É o pior tipo de jornalismo, porque jogando exclusivamente para a platéia ou para permitir à casa se apresentar como a campeã da moralidade. O nome disso é hipocrisia!

Que Vorcaro seja interrogado, que faça sua delação – para a PF e para o MInistério Público Federal, para evitar manipulações. E, depois, que ele e seus asseclas recebam a mais pesada das condenações. Será a única maneira de impedir seu derradeiro crime: o de incutir a selvageria no coração do país.

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