Telesur
A República Bolivariana da Venezuela emitiu um comunicado oficial neste sábado (3) rejeitando “a gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território venezuelano e seu povo”. O comunicado detalha que os ataques afetaram “locais civis e militares na cidade de Caracas, capital da República, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira”.
O governo venezuelano enfatiza que “este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos Artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força”. Além disso, alerta que “tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas”.
Segundo o comunicado, o objetivo da agressão é a apropriação dos recursos estratégicos da Venezuela. “O objetivo deste ataque não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política da nação. Eles não terão sucesso”, afirma o texto. A Venezuela reafirma sua independência, lembrando que “Desde 1811, a Venezuela enfrentou e derrotou impérios”, evocando a proclamação do presidente Cipriano Castro em 1902: “‘O pé insolente do estrangeiro profanou o solo sagrado da Pátria'”.
O Governo Bolivariano instou a população a mobilizar-se, declarando que “o povo da Venezuela e suas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, em perfeita unidade popular-militar-policial, estão mobilizados para garantir a soberania e a paz”. Simultaneamente, a diplomacia venezuelana apresentará “as queixas correspondentes ao Conselho de Segurança da ONU, ao Secretário-Geral dessa organização, à CELAC e ao Movimento Não Alinhado, exigindo condenação e responsabilização do governo dos EUA”.
O presidente Nicolás Maduro acionou “todos os planos de defesa nacional” e ordenou “a implementação do Decreto que declara estado de perturbação externa em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e a transição imediata para a luta armada”. Foi ordenado o imediato destacamento do Comando de Defesa Integral da Nação.
De acordo com o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, a Venezuela “reserva-se o direito de exercer legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência”. Por fim, a declaração apela à solidariedade internacional, citando o Comandante Hugo Chávez Frías: “Diante de quaisquer novas dificuldades, por maiores que sejam, a resposta de todos os patriotas… é unidade, luta, batalha e vitória”. A declaração foi emitida em Caracas em 3 de janeiro de 2025.
Os eventos estão se desenrolando em um contexto de crescentes ameaças de Washington, incluindo o destacamento militar dos EUA no Caribe e o bloqueio naval contra a Venezuela anunciado pelo governo Trump em 16 de dezembro.
A operação militar dos EUA no Caribe, iniciada em agosto, inclui destróieres, um submarino nuclear, o porta-aviões USS Gerald R. Ford e mais de 4.000 soldados. O governo venezuelano considera esse destacamento militar uma violação do direito internacional.

