Duas promotorias apontaram falta de informações e pediram novos esclarecimentos sobre o assassinato do animal
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apontou, nesta sexta-feira (6), lacunas no inquérito apresentado pela Polícia Civil sobre o assasinato do cão Orelha e pediu novas diligências nas investigações.
De acordo com o MP, tanto a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, da área da Infância e Juventude, quanto a 2ª Promotoria de Justiça, da área criminal, concluíram que é preciso mais detalhes sobre o caso.
A 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis apontou lacunas no Boletim de Ocorrência Circunstanciado sobre a possível participação dos adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos a animais. Já a 2ª Promotoria de Justiça , responsável pela investigação envolvendo adultos, afirmou que a polícia deve “ampliar e detalhar a apuração dos fatos” para confirmar a inexistência de relação dos suspeitos com a agressão aos animais.
O MP também segue apurando possível coação no curso do processo pelos responsáveis dos adolescentes. O órgão também apura uma ameaça feita ao porteiro de um condomínio da Praia Brava, onde ocorreu o crime, feita por familiares.
Inquérito pede a internação de um adolescente
O inquérito da Polícia Civil de Santa Catarina foi concluído nesta terça-feira (3) com um pedido de internação do adolescente apontado como autor do crime.
No caso de Orelha, um adolescente foi apontado como responsável pela morte do animal. A Polícia Civil solicitou a internação provisória do agressor, medida que equivale à prisão no sistema socioeducativo. Ele era um dos jovens que estavam nos Estados Unidos no período posterior ao crime.
Os nomes, idades e a localização dos suspeitos não foram divulgados pela investigação, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo em procedimentos que envolvem pessoas menores de 18 anos.
Depoimento contraditório
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o delegado Renan Balbino explicou como a investigação chegou ao adolescente indiciado pela morte de Orelha.
“O Cão Comunitário Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã, na Praia Brava, no Norte da Ilha. De acordo com os laudos da Polícia Científica, ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária por conta dos ferimentos”, inicia o delegado.
Em seguida, a corporação explica como chegou no autor do crime: “a Polícia Civil analisou mais de 1 mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens. Foram 24 testemunhas ouvidas, 8 adolescentes suspeitos investigados, além de provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Um software francês obtido pela Polícia também analisou a localização do responsável durante o ataque fatal ao Cão Orelha.”
“O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou ao condomínio acompanhado de uma amiga. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía imagens dele saindo do local e afirmou que havia permanecido dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele esteve fora do condomínio. As imagens, as roupas e os relatos confirmam que ele estava na praia”, declarou o delegado.
Posteriormente, a Polícia Civil relata como interceptou o jovem no aeroporto: “O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso e ficou no Exterior até o dia 29 de janeiro. No retorno, ele foi interceptado pela Polícia ao chegar no aeroporto. Naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação. Além disso, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime.”
“Durante a investigação, a Polícia Civil teve o desafio de evitar vazamentos sobre o que estava sendo apurado. Como se tratava de um adolescente fora do País, ele poderia empreender fuga ou descartar elementos que comprovaram a autoria, como o celular […] Por conta da gravidade do caso Orelha, a Polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão de adulto”, continua a corporação.
